As empresas pertencentes à holding da Odebrecht começarão a mudar seus nomes e seus logotipos a partir deste mês, como parte de uma estratégia que vem sendo desenhada desde meados do ano passado, na tentativa de se distanciarem de um título que ficou associado à Lava Jato e à corrupção.

O nome da holding permanecerá intacto, mas a palavra Odebrecht será expurgada de todos os negócios que a abrigavam no nome —como a Odebrecht Óleo e Gás e a Odebrecht Realizações Imobiliárias, que até o fim do ano aparecerão repaginadas.
A cor vermelha do logotipo tradicional e a tipologia das letras padronizadas com a marca-mãe também serão descartadas.
Os novos logotipos vão compartilhar de uma mesma paleta de cores.
A primeira a sofrer as mudanças é a Braskem. Nesse caso, o nome será preservado, já que não carrega o peso da bandeira Odebrecht. As alterações, que devem ser anunciadas nas próximas semanas, estão apenas no padrão das letras e nas cores da marca Braskem.
Também fazem parte da lista a empresa de infraestrutura Odebrecht Transport, a Odebrecht Latinvest, de investimento em infraestrutura e logística, e a Odebrecht Agroindustrial, do setor de etanol.
Como a Braskem, Foz e Enseada manterão os nomes e mudarão apenas de marca.
Nas palavras do vice-presidente Marcelo Lyra, responsável pela área de comunicação da Odebrecht, a empresa está passando por uma “trajetória de recuperação reputacional” e preparando respostas cobradas pela sociedade e também por seu público interno.
As mudanças vão na contramão de uma decisão que Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo preso em Curitiba, tomou em 2013, ao unificar a marca Odebrecht para todos os negócios.
“Olhando o retrovisor, é fácil julgar, mas na época Odebrecht tinha força significativa, fazia com que os negócios se fortalecessem. Fazia sentido naquele momento. Alguns negócios se alavancaram nela. Hoje, é claro que a marca não ajuda”, diz Lyra.
O discurso elaborado para a comunicação das mudanças está alinhado com o mea culpa feito pela empresa em dezembro de 2016, quando ela divulgou anúncios afirmando que reconhecia ter participado de “práticas impróprias”, cedido a “pressões externas” e violado os “próprios princípios”.
SOMOS HUMANOS
Um dos comunicados preparados para os colaboradores da companhia ainda fazem referência aos escândalos: “Somos humanos, mas é essa a nossa força, pensamos, repensamos, nos reinventamos todos os dias”.
Preocupado em afastar qualquer interpretação que possa rotular a iniciativa como “cosmética”, Lyra insiste em que as mudanças são condizentes com uma nova realidade na gestão das empresas, que ganharão maior autonomia em relação à holding.
“Neste contexto de mudança da estratégia empresarial, a gente tem um trabalho claro de busca de novos sócios e de modelagem de uma governança mais próxima de uma empresa de capital aberto em todos os negócios”, diz.
Lyra não descarta futuras mudanças também no nome da construtora Odebrecht Engenharia. Mas, como ela teve maior envolvimento nos ilícitos apurados pela Polícia Federal, um novo nome deve vir só futuro.

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