A Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Sem Lastro, que resultou na prisão de três pessoas em Salvador sob a acusação de criar e negociar mais de mil títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas falsas. A investigação aponta que o esquema movimentou mais de R$ 32 milhões e provocou um prejuízo superior a R$ 15 milhões, afetando investidores e pequenos comerciantes, alguns dos quais foram levados à falência.

Para dar aparência de regularidade às operações no mercado financeiro, os investigados utilizavam empresas do ramo veterinário, voltadas ao comércio e armazenamento de ração e insumos. Durante a ação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos bairros de Jardim Armação e Jardim das Margaridas, onde os suspeitos foram localizados.

Funcionamento do esquema e divisão de tarefas

A fraude consistia na simulação de dívidas comerciais irreais envolvendo mais de 200 empresas. Para conferir liquidez e enganar investidores, o grupo praticava o “autopagamento”, quitando parte dos próprios títulos com recursos de empresas ligadas ao esquema. Mesmo após a descoberta das primeiras irregularidades, o líder do grupo tentou negociar uma nova carteira fraudulenta de R$ 17 milhões.

A Polícia Civil detalhou a atuação de cada um dos presos:

 Investigado preso em Jardim Armação: Atuava na área comercial e financeira, sendo o responsável pela criação, falsificação, negociação dos títulos e realização dos autopagamentos.

 Investigada presa em Jardim das Margaridas: Atuava no setor financeiro e contábil, manipulando balanços para simular a solidez econômica das empresas envolvidas.

 Médica-veterinária (esposa do principal suspeito): Atuava na gestão patrimonial e societária do grupo.

Blindagem patrimonial e prejuízos às vítimas

Segundo o delegado José Nélis, responsável pelo caso, o grupo promoveu manobras para ocultar bens e inviabilizar o ressarcimento das vítimas. Entre as estratégias investigadas está uma transferência efetuada em 24 de março de 2026, na qual cotas empresariais avaliadas em R$ 1 milhão foram repassadas à médica-veterinária. A transação ocorreu sob a justificativa de uma separação conjugal que a polícia aponta ser simulada, já que publicações recentes nas redes sociais comprovam a continuidade do relacionamento do casal.

As investigações prosseguem para identificar novos desdobramentos e buscar a recuperação dos ativos subtraídos.