Porto Alegre vê recursos tornarem-se escassos na medida em que a água do rio Guaíba avança para mais ruas da cidade. Em regiões onde a água sobe, há desabastecimento de energia elétrica. A solução, para muitos, foi buscar tomadas em estabelecimentos comerciais para carregar o celular.
 

Marcos Jimenez, 36 anos, mora no bairro Floresta. A água na rua dele chegou a altura do peito. Ele deixou o lar junto da mulher, do filho e do cachorro da família. Todos estão abrigados no Colégio Júlio de Castilhos, um dos pontos que recebe pessoas afetadas pela inundação.
 

O local, porém, já concentra muita gente. Nesta quarta-feira, 8, Marcos foi até uma área próxima da sua rua para verificar o nível da água. Antes de retornar, aproveitou uma tomada do shopping Total. “O abrigo é muito bom, tem comida, luz, água, mas muita gente. Então aproveitei a saída para dar uma carga no celular”, conta.
 

A cena da água que ele foi averiguar foi desanimadora. Esperando ver um nível menor, Marcos deparou-se com o oposto. “Fiquei até um pouco deprimido. E chove amanhã e quinta”, lamentou.
 

O advogado Samuel Tomazi, 45, mudou-se para Porto Alegre há dois meses. Ele é de Encantado, um dos municípios mais afetados pelas enchentes, no Vale do Taquari. Somente na terça-feira (7), ele conseguiu contato para ter notícias de seus familiares.
 

Desde sábado, Samuel está sem luz. Ele utilizava uma tomada no Hospital Santa Casa, próximo de onde mora. Agora, porém, o local proibiu que pessoas de fora carreguem os aparelhos. Com isso, o advogado foi até o shopping Total em busca de uma tomada. “Metade da quadra que moro está sem luz. A outra é a do hospital. Colocaram até placa dizendo que não pode” contou.
 

As enchentes do Rio Grande do Sul já deixaram 100 mortos, além de 128 desaparecidos. São, ao todo, 163.720 desalojados. Dos 497 municípios gaúchos, 417 foram afetados.