A Câmara dos Deputados desembolsou quase R$ 100 mil para custear a viagem de um grupo de parlamentares bolsonaristas a El Salvador, país da América Central que vive em estado de exceção.

Liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a caravana bolsonarista aconteceu entre 11 e 16 de dezembro e custou R$ 96,2 mil aos cofres da Casa, incluindo diárias e passagens aéreas com preço estimado em R$ 10 mil cada.

Além de Eduardo, outros quatro deputados tiveram a viagem bancada pela Câmara. São eles: Delegada Ione (Avante-MG), Coronel Assis (União-MT), Capitão Alden (PL-BA) e Sanderson (PL-RS).

A viagem foi autorizada pela Mesa Diretora da Câmara, sob o argumento de que os parlamentares, que compõem a Comissão de Segurança Pública da Casa, iriam conhecer as políticas adotadas por El Salvador nesse âmbito.

“Uma experiência única: vivenciar de perto a realidade de El Salvador no que tange à Segurança Pública, para pensar em soluções com o objetivo de melhorar os revoltantes índices de violência no Brasil, trazer esse conhecimento para o nosso país e pensar políticas públicas que possam ser verdadeiramente efetivas”, escreveu a Delegada Ione em seu relatório.

Os deputados Osmar Terra (MDB-RS) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) também estiveram em El Salvador. Entretanto, até o momento, não registraram os custos na lista de viagens oficiais da Câmara.

Eleito em 2019, o atual presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que é de extrema direita, decretou “estado de exceção” em 2022. Desde então, ele renovou o decreto por mais 11 vezes.

Em sua cruzada contra a criminalidade, Nayib substituiu os juízes da Suprema Corte e destituiu o procurador-geral do país caribenho. Além disso, mandou prender mais de 70 mil pessoas suspeitas de filiação a gangues.