A cantora Claudia Leitte obteve uma vitória na Justiça em meio à polêmica envolvendo a música “Caranguejo”, iniciada em dezembro de 2024 e que segue repercutindo. A Justiça negou o pedido de tutela provisória de urgência apresentado contra a artista, sob a justificativa de ausência de evidências imediatas de conduta discriminatória e pelo fato de a alteração na letra ocorrer há vários anos.

A ação tramita na 1ª Vara Cível e Comercial de Salvador e foi movida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Posteriormente, a Justiça autorizou a inclusão do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) no polo ativo do processo.

Os autores solicitaram a concessão de uma tutela de urgência de natureza inibitória para impedir que Claudia Leitte praticasse qualquer ato considerado discriminatório religioso, direta ou indiretamente, em apresentações, entrevistas, produções artísticas e redes sociais, sob pena de multa diária, com o objetivo de proteger religiões de matriz africana.

Na decisão, a juíza Maria Helena Peixoto Mega apontou um aparente conflito entre o direito à proteção da memória e do patrimônio cultural das religiões de matriz africana e os direitos fundamentais da artista à liberdade de expressão artística, de consciência e de crença.

A magistrada entendeu que não houve grau de certeza suficiente para caracterizar a alteração feita pela cantora como intolerância religiosa, destacando ainda que a modificação no trecho da canção ocorre há anos.

“Os autores reconhecem, na petição inicial e na documentação que a instrui, que a conduta imputada à ré — consistente na alteração da letra da canção ‘Caranguejo’ — vem sendo reiterada ao longo dos anos, com registros que remontam ao ano de 2014”, diz trecho da decisão.

Outro ponto considerado foi a ausência de oposição formal dos compositores da música à mudança feita pela artista.

“Dos depoimentos colhidos, especialmente dos compositores da canção, verifica-se que a música foi apresentada ao público diversas vezes após a alteração, sem qualquer oposição. Embora haja informação sobre ação em curso por dois dos quatro compositores, nenhum documento foi juntado aos autos até o momento”, acrescenta a decisão.

Relembre o caso

Em dezembro de 2024, o MP-BA recebeu uma denúncia alegando que Claudia Leitte teria adotado postura discriminatória ao substituir o nome de Iemanjá por “Só louvo meu Rei Yeshua” na letra da música “Caranguejo”. Evangélica e batizada em 2012, a cantora afirmou não ver problema em cantar axé music e declarou encarar a música como um trabalho profissional.

Em janeiro de 2025, o IDAFRO acionou o MP-BA solicitando o impedimento da participação da artista no Carnaval de Salvador. Embora o ofício não citasse diretamente a música, a iniciativa foi motivada pela repercussão da polêmica.

Ao longo do período, Claudia Leitte evitou comentar o caso em detalhes, classificando o tema como delicado e incompatível com debates superficiais nas redes sociais.

“Esse assunto é muito sério. Racismo é uma pauta que precisa ser tratada com profundidade e respeito. Não podemos negociar valores como integridade, sororidade e respeito”, declarou a artista em manifestação anterior.

Carnaval 2026

Sem impedimentos judiciais, Claudia Leitte tem cinco apresentações confirmadas no Carnaval de Salvador 2026. Com o tema “Especiarias”, mesmo nome de seu projeto mais recente, a artista desfilará nos blocos Blow Out (sexta-feira) e Largadinho (domingo e terça-feira), além de realizar shows no Camarote Brahma (sábado) e no Camarote Club (domingo).

Até o momento, não há apresentação confirmada para o público pipoca, o que a deixa fora do Circuito Osmar, no Campo Grande. No entanto, como a programação oficial de atrações gratuitas ainda não foi divulgada, não está descartada a possibilidade de novas participações.