Rússia estende restrição à exportação de diesel e gasolina até janeiro de 2027 Redação 30 de julho de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS Medida reduz a oferta de diesel russo ao Brasil, que já busca novos fornecedores; Estados Unidos devem ampliar participação no mercado brasileiroO governo da Rússia decidiu estender até 31 de janeiro de 2027 o veto à exportação de diesel e gasolina. A restrição, que estava prevista para terminar nesta sexta-feira (31), entra em uma nova fase a partir de 1º de setembro, quando produtores russos poderão voltar a exportar diesel, mas intermediários continuarão proibidos de realizar as operações.A decisão tem impacto direto sobre o mercado brasileiro. Até junho, a Rússia era o principal fornecedor de diesel importado pelo Brasil. Naquele mês, o país respondeu por 57% dos embarques do combustível destinado ao mercado nacional, que depende de importações para atender cerca de 30% da demanda.Em maio, a participação russa havia chegado a 90%. Com a restrição adotada em julho, porém, as vendas despencaram. Estimativas preliminares indicam que a participação da Rússia nas importações brasileiras de diesel ficará abaixo de 15% em julho.Com a redução da oferta russa, outros países passaram a ocupar espaço no mercado brasileiro. Os Estados Unidos aparecem como principal alternativa e devem responder por mais de 80% das importações de diesel realizadas pelo Brasil neste mês.A Rússia havia ampliado sua presença no mercado internacional de combustíveis após a invasão da Ucrânia, iniciada em 2022. As sanções impostas por países ocidentais fizeram Moscou oferecer petróleo e derivados com descontos, favorecendo o aumento das vendas para mercados como o brasileiro.Até maio, o Brasil havia se tornado o terceiro maior comprador mundial de diesel russo, respondendo por cerca de 11% das importações globais do produto.O cenário, no entanto, começou a mudar após uma série de ataques com drones e mísseis de longo alcance realizados pela Ucrânia contra refinarias e instalações de energia russas. Os ataques contribuíram para reduzir a oferta de combustíveis no mercado interno da Rússia.Diante da situação, o governo de Vladimir Putin adotou medidas emergenciais, entre elas a suspensão das exportações de derivados de petróleo. A restrição, inicialmente prevista para vigorar até o fim de julho, foi agora prorrogada até janeiro de 2027.Pelas novas regras, empresas produtoras, como a estatal Rosneft, poderão retomar a venda de diesel e combustível marítimo a partir de setembro. A exportação de gasolina, porém, continuará sujeita às restrições.Os intermediários, que têm participação importante nas vendas de combustíveis russos ao exterior, permanecerão impedidos de negociar até 2027. Parte das operações destinadas ao Brasil é realizada por essas empresas para reduzir os riscos relacionados às sanções internacionais.Além da questão da oferta, a mudança também pode afetar os preços. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, no primeiro semestre, cada quilo de diesel importado da Rússia custou, em média, R$ 0,15 menos do que o produto comprado dos Estados Unidos.O mercado brasileiro também enfrenta pressão de outros fatores geopolíticos. O governo federal decidiu manter o subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel, implementado em maio, diante das incertezas no cenário internacional. A medida estava prevista para ser reavaliada em agosto.Com a manutenção das restrições russas e a necessidade de buscar fornecedores alternativos, o preço do diesel tende a continuar sob pressão.O combustível é fundamental para a economia brasileira. Aproximadamente 65% do transporte de cargas no país é realizado por caminhões movidos a diesel, além da utilização do combustível em máquinas agrícolas, equipamentos industriais e outros setores da economia.