Lula defende exploração de petróleo na costa do Amapá e promete cuidado com o meio ambiente Redação 18 de agosto de 2026 Destaque, Notícias, Política, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta segunda-feira (17), a continuidade das pesquisas para exploração de petróleo na costa do Amapá e afirmou que o governo manterá os cuidados com a preservação ambiental.Durante uma visita ao navio-sonda da Petrobras responsável pela perfuração do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, Lula classificou como positiva a descoberta de petróleo na região e afirmou que o potencial encontrado pode representar uma nova fonte de riqueza para o país.Segundo o presidente, grande parte do território do Amapá permanece preservada. Ele destacou a presença de áreas de proteção ambiental e afirmou que a exploração de petróleo deve ocorrer com responsabilidade.Lula também comparou a descoberta na Margem Equatorial ao pré-sal e chamou o petróleo encontrado de um “passaporte para o futuro”. Ao mesmo tempo, ressaltou que a defesa da exploração não significa abandonar os esforços pela transição energética e pela redução do uso de combustíveis fósseis.Exploração ainda enfrenta questionamentos ambientaisA exploração da chamada Margem Equatorial continua sendo alvo de discussões ambientais. O Ibama ainda não autorizou a perfuração de outros três poços que a Petrobras pretende abrir na região e solicitou informações complementares à estatal.A Petrobras considera as novas perfurações importantes para avaliar o potencial da área e verificar se a descoberta possui viabilidade comercial. A presidente da empresa, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível estimar a quantidade de petróleo existente no local.A previsão é que a perfuração do poço Morpho seja concluída entre 15 e 20 dias. Depois disso, a Petrobras pretende realizar novas perfurações na área e em regiões próximas para dimensionar o potencial da reserva.Licenciamento foi marcado por controvérsiasO processo de licenciamento do poço Morpho foi marcado por discussões entre setores do governo, órgãos ambientais e representantes políticos.A licença para a exploração foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, após pressão do governo federal e de políticos do Amapá. Em janeiro deste ano, um vazamento de fluido provocou a interrupção das atividades por aproximadamente um mês.A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo órgão ambiental, e os trabalhos foram retomados em fevereiro.Na avaliação do Ibama, o empreendimento recebeu o grau máximo de impacto para fins de cálculo da compensação ambiental, de 0,5%, considerando a dimensão da atividade e os riscos relacionados à biodiversidade.A área também reúne ecossistemas considerados sensíveis, incluindo manguezais, além de territórios onde vivem aproximadamente 12 mil indígenas de quatro etnias. Essas comunidades utilizam os recursos naturais da região para atividades como pesca, caça e agricultura.Lula fala em soberania nacionalAo defender a continuidade das pesquisas, Lula voltou a associar a exploração de petróleo à soberania nacional. O presidente afirmou que o Brasil possui o direito de utilizar seus recursos naturais enquanto houver demanda internacional por combustíveis fósseis.Lula também contou que houve pressão para que o governo não anunciasse a licença antes da realização da COP30, em Belém, no ano passado. Segundo ele, havia preocupação de que a decisão provocasse reações negativas de países europeus.O presidente afirmou, no entanto, que decidiu manter a defesa das pesquisas por considerar que estavam em jogo interesses estratégicos do país e da Petrobras.Petróleo e transição energéticaA exploração da Margem Equatorial mantém um dos principais debates da política energética brasileira: como ampliar a produção de petróleo e, ao mesmo tempo, avançar nos compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa.O governo federal tem defendido a transição para fontes de energia mais limpas, mas também considera necessário garantir novas reservas de petróleo para atender à demanda nas próximas décadas.Atualmente, o pré-sal responde por cerca de 80% da produção brasileira. A Petrobras estima que a produção dessa região alcance o pico entre 2034 e 2035 e argumenta que novas descobertas serão necessárias para evitar uma queda na produção nacional.