Irã critica ameaça de Trump de usar ativos iranianos para indenizar prejuízos marítimos Redação 24 de julho de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de utilizar ativos iranianos sob controle americano para indenizar danos relacionados ao transporte marítimo.Em publicação nas redes sociais, Araghchi afirmou que a medida criaria um “precedente incendiário” ao permitir o confisco de recursos de outro país para cobrir reivindicações futuras sem relação direta com os ativos. Segundo o chanceler, a iniciativa pode provocar “caos” nas relações internacionais e colocar em risco os recursos financeiros de outros governos.“Aqueles que celebram ou lucram com esses fundos devem se lembrar: uma vez que os governos normalizam a confiscação, os ativos de ninguém estão seguros”, escreveu o ministro.A declaração foi uma resposta à publicação de Trump na rede Truth Social, na qual o presidente norte-americano afirmou que qualquer dano causado a navios, cargas ou bens ligados à navegação será compensado com recursos iranianos que estão sob posse e controle dos Estados Unidos.Trump afirmou ainda que os prejuízos podem ser “muito substanciais” e classificou a medida como “justa e equitativa”. No entanto, o presidente não informou quais ativos seriam utilizados nem explicou qual seria a base jurídica para a adoção da medida.A troca de declarações ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países. Washington voltou a ameaçar atacar infraestrutura iraniana caso embarcações sejam alvo de ataques no Estreito de Hormuz. Na última quarta-feira (22), Trump declarou que os Estados Unidos poderiam destruir “uma ponte ou usina elétrica” no Irã caso navios fossem atacados na região.Poucas horas depois, segundo informações divulgadas pelo The New York Times, o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani. De acordo com autoridades iranianas e iraquianas ouvidas pelo jornal, Teerã não aceita um acordo temporário que não inclua discussões sobre o controle do Estreito de Hormuz, considerado uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.Em entrevista à televisão estatal iraniana, Araghchi afirmou que o enviado iraquiano compartilhou impressões obtidas durante visita a Washington, mas ressaltou que o impasse entre Irã e Estados Unidos não decorre da falta de canais de comunicação.Após as ameaças de Trump, a Guarda Revolucionária do Irã também elevou o tom, afirmando que poderá interromper o fornecimento de energia a aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio caso instalações iranianas sejam bombardeadas. O grupo ainda ameaçou bloquear o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e atacar infraestruturas energéticas e econômicas na região.Na quarta-feira (22), os Houthis, grupo extremista do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram ataques contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, alegando que as embarcações violaram um bloqueio naval imposto pelo grupo. O governo da Arábia Saudita confirmou um ataque a um petroleiro, mas não atribuiu oficialmente a autoria. A agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), responsável pelo monitoramento da segurança marítima na região, também não identificou os responsáveis pela ação.