O governo da Venezuela determinou que as forças de segurança iniciem imediatamente a busca e captura, em todo o território nacional, de pessoas suspeitas de promover ou apoiar o ataque armado dos Estados Unidos contra o país. A ordem foi anunciada nesta segunda-feira (5) pela presidente interina Delcy Rodríguez.

A medida está prevista em um decreto publicado no sábado (3), data em que o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores teriam sido sequestrados por militares norte-americanos durante uma operação realizada em Caracas. Embora o decreto tenha sido assinado no sábado, o conteúdo integral do documento só foi divulgado oficialmente nesta segunda-feira.

Em meio à onda de prisões, o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela denunciou a detenção de pelo menos 14 jornalistas. Segundo a entidade, 11 dos presos atuam em veículos de comunicação ou agências internacionais, enquanto um trabalha em uma empresa de comunicação nacional.

De acordo com o sindicato, ao menos dez profissionais permanecem detidos, e a organização exigiu a libertação imediata de todos. Parte das prisões teria ocorrido dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, durante a sessão que oficializou a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina.

Em nota anterior, o sindicato também solicitou o desbloqueio de mais de 60 veículos de comunicação que estariam sob censura no país. A entidade afirmou que não há perspectiva de transição democrática enquanto persistirem restrições à liberdade de imprensa.

Maduro nos Estados Unidos

Também nesta segunda-feira, Nicolás Maduro e Cilia Flores passaram por uma audiência de custódia em uma corte de Nova York. Durante a sessão, o presidente venezuelano se declarou inocente das acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos.

O caso foi discutido pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que se reuniu para tratar do ataque à Venezuela e da retirada forçada de Maduro do país. A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, afirmou estar “profundamente preocupada” com a operação militar realizada no dia 3 de janeiro e declarou que normas do direito internacional não teriam sido respeitadas.

Segundo informações oficiais, Maduro e a esposa foram retirados à força da Venezuela após um ataque militar dos Estados Unidos à capital Caracas, na madrugada de sábado. O presidente venezuelano foi levado de navio para Nova York e está detido em um presídio federal no bairro do Brooklyn.

As autoridades norte-americanas acusam Maduro e Cilia Flores de liderarem um governo considerado ilegítimo e corrupto, além de envolvimento com narcoterrorismo, conspiração para tráfico internacional de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para uso desses armamentos.