Trump ameaça intervir no Irã em meio a protestos que já deixaram mortos Redação 2 de janeiro de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (2) que poderá ajudar manifestantes no Irã caso forças de segurança disparem contra protestos pacíficos. A declaração ocorre cinco dias após o início de manifestações no país, consideradas as maiores em três anos, e que já resultaram em mortes — embora o número exato ainda seja incerto.Em publicação nas redes sociais, Trump escreveu que, se o Irã “atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos”, os Estados Unidos estariam prontos para agir. “Estamos prontos e carregados para agir”, afirmou. A ameaça surge em um contexto de tensão crescente entre os dois países, meses após os Estados Unidos atacarem instalações nucleares iranianas, em junho do ano passado, em apoio a uma campanha aérea liderada por Israel.As declarações provocaram reação imediata de autoridades iranianas. O presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, alertou que qualquer interferência dos EUA em assuntos internos do país poderia gerar “caos em toda a região”. Segundo ele, Trump estaria promovendo um “aventureirismo perigoso” e afirmou que os americanos deveriam “vigiar seus soldados”.O conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, Ali Shamkhani, também se manifestou, afirmando que qualquer tentativa de intervenção externa será respondida. “A segurança do Irã é uma linha vermelha”, escreveu na rede social X.Enquanto isso, autoridades locais reforçaram o tom de repressão. Um funcionário do oeste do país, região onde há registros de mortes, declarou à mídia estatal que agitações e reuniões ilegais serão enfrentadas de forma decisiva e sem clemência, aumentando o risco de escalada da violência.Maiores protestos em três anosOs protestos começaram motivados pelo aumento do custo de vida e da inflação, espalhando-se por diversas regiões do Irã. Os confrontos mais intensos ocorreram nas províncias ocidentais de Lorestan e Chaharmahal e Bakhtiari.A imprensa estatal e organizações de direitos humanos relataram ao menos seis mortes desde quarta-feira (31), incluindo um homem identificado pelas autoridades como membro da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária.Segundo grupos de monitoramento, o Irã tem histórico de conter protestos com forte repressão, prisões em massa e uso de força, mas a atual crise econômica pode tornar o governo mais vulnerável.As manifestações atuais são as mais expressivas desde 2022, quando protestos nacionais após a morte de uma jovem sob custódia policial resultaram em semanas de instabilidade e, segundo organizações de direitos humanos, centenas de mortos.Governo admite falhasO presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom mais conciliador, prometendo diálogo com representantes dos protestos, mesmo diante de denúncias de que forças de segurança dispararam contra manifestantes.Antes das declarações de Trump, Pezeshkian reconheceu falhas da própria gestão no agravamento da crise econômica. “A culpa é nossa. Não devemos procurar a América ou qualquer outro para culpar. Somos nós que precisamos encontrar soluções”, afirmou.O governo tenta implementar um programa de liberalização econômica, mas medidas como a desregulamentação do câmbio contribuíram para a desvalorização do rial iraniano, agravando a inflação, que permanece acima de 36%, segundo dados oficiais.A economia iraniana segue pressionada por sanções ocidentais relacionadas ao programa nuclear, além dos impactos dos ataques israelenses e americanos no último ano e da perda de aliados estratégicos na região.Mortes e prisõesA organização de direitos humanos Hengaw informou que 29 manifestantes foram detidos durante a atual onda de protestos. Em Lorestan, autoridades judiciais reforçaram que não haverá tolerância para ações consideradas ilegais ou ameaças à ordem pública.A agência semi-oficial Fars informou que três manifestantes morreram e 17 ficaram feridos durante um ataque a uma delegacia de polícia no oeste da província de Lorestan.O cenário segue de forte tensão interna e internacional, com risco de agravamento caso a repressão ou a retórica externa se intensifiquem.