Cannabis medicinal na menopausa: uso desperta interesse, mas ainda exige mais estudos científicos Redação 30 de outubro de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS As mudanças provocadas pela menopausa vão muito além das alterações hormonais. Problemas para dormir, ansiedade, ondas de calor e dores musculares estão entre os sintomas que podem afetar a qualidade de vida de muitas mulheres. Diante desses desafios, a cannabis medicinal tem despertado interesse como uma possível alternativa para o alívio de alguns desses desconfortos.Apesar dos relatos positivos de algumas pacientes, a utilização de compostos da cannabis nessa fase ainda é cercada de dúvidas. A comunidade científica investiga os possíveis benefícios, mas destaca que faltam estudos clínicos capazes de comprovar a eficácia e a segurança desse tipo de tratamento para os sintomas específicos da menopausa.Interesse cresce diante dos sintomasA perimenopausa e a menopausa podem provocar diferentes manifestações, como suores noturnos, alterações de humor, cansaço, insônia e desconfortos nas articulações e nos músculos. A intensidade dos sintomas varia de acordo com cada mulher e pode interferir diretamente na vida pessoal e profissional.Nesse contexto, algumas mulheres têm buscado informações sobre os canabinoides, substâncias encontradas na cannabis, especialmente o canabidiol (CBD).Uma pesquisa realizada no Canadá, em 2022, com 1.485 participantes, identificou a procura por cannabis entre mulheres que vivenciavam a menopausa. Entre as usuárias, os principais motivos relatados foram dificuldades para dormir, ansiedade e dores musculares e articulares.Os resultados demonstram o interesse por novas possibilidades de cuidado, mas não representam uma comprovação científica de que a cannabis seja eficaz para tratar essas condições.O que a ciência já investigou?Uma das linhas de investigação envolve o sistema endocanabinoide, uma rede presente no organismo que participa da regulação de diferentes funções, incluindo sono, humor e percepção da dor.Como esse sistema também apresenta relações com processos hormonais, pesquisadores buscam compreender se os canabinoides podem contribuir para o controle de determinados sintomas durante a transição para a menopausa.Entretanto, os estudos disponíveis ainda são limitados. Uma revisão sistemática publicada em 2021 encontrou apenas três pesquisas elegíveis sobre a utilização de cannabis para sintomas da menopausa, apontando a necessidade de investigações mais aprofundadas.CBD, sono e ansiedade: quais são as possibilidades?O canabidiol (CBD) é um dos compostos que mais despertam interesse nas pesquisas, principalmente por seus possíveis efeitos em mecanismos relacionados à ansiedade. Outros canabinoides também são investigados por suas possíveis relações com a dor e o sono.Apesar disso, ainda não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que essas substâncias sejam tratamentos eficazes para insônia, ansiedade, ondas de calor ou outros sintomas específicos da menopausa.Atualmente, a terapia hormonal e os tratamentos não hormonais indicados para cada paciente possuem respaldo científico mais consistente para determinadas manifestações dessa fase.É possível associar cannabis medicinal à terapia hormonal?A possibilidade de utilizar produtos à base de cannabis junto a outros tratamentos também está entre as questões investigadas. No entanto, essa associação exige cautela, principalmente pela possibilidade de interações medicamentosas.A decisão deve ser individualizada e considerar o histórico de saúde da paciente, os medicamentos utilizados e os possíveis efeitos adversos. Não há comprovação suficiente de que a combinação com a terapia hormonal seja segura e eficaz para todas as mulheres.Cuidados antes de iniciar o tratamentoO uso de cannabis medicinal não está livre de riscos. Entre os possíveis efeitos adversos estão tontura, sonolência, fadiga e dificuldades de concentração. Produtos que contêm THC também podem provocar ansiedade e paranoia em algumas pessoas.Mesmo o CBD, que não produz os mesmos efeitos intoxicantes do THC, pode apresentar reações adversas e interagir com outros medicamentos.Por isso, a utilização deve acontecer com acompanhamento de um profissional de saúde habilitado. A mulher não deve interromper tratamentos já prescritos ou substituir medicamentos convencionais por produtos à base de cannabis sem orientação.Acesso e informação também fazem parte do cuidadoA procura por alternativas terapêuticas reforça a importância de ampliar as pesquisas sobre a saúde feminina, especialmente durante a menopausa. No Brasil, o acesso a produtos à base de cannabis depende das normas sanitárias vigentes, das características do produto e da avaliação individual de cada paciente.Mais do que acompanhar novas possibilidades de tratamento, é fundamental que as mulheres tenham acesso a informações confiáveis e orientação adequada para tomar decisões sobre a própria saúde.Embora a cannabis medicinal represente uma linha de investigação promissora em alguns aspectos, ainda não há evidências suficientes para considerá-la um tratamento comprovado para os sintomas da menopausa. O avanço das pesquisas será essencial para esclarecer seus possíveis benefícios, limitações e riscos.