O vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que o possível fim da escala de trabalho 6×1 não deverá comprometer a produção de veículos na fábrica da montadora chinesa em Camaçari, na Bahia. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (29), o executivo declarou que a empresa está preparada para se adaptar a eventuais mudanças na legislação trabalhista sem prejudicar suas operações.

Segundo Baldy, a demanda do mercado atualmente supera a capacidade produtiva da unidade baiana, o que permite à empresa ajustar sua organização de trabalho sem reduzir a fabricação de automóveis.

“O mercado, hoje, está acima da nossa capacidade produtiva, e nós vamos ajustar isso. Então, não há nada que vá impactar ou reduzir. Vamos gerar empregos e produzir aquilo que for necessário. Nós respeitamos a lei, seguimos a lei e vamos investir de acordo com a legislação”, afirmou.

O complexo industrial da BYD em Camaçari conta com aproximadamente 9.500 empregos diretos, consolidando a montadora como a segunda maior empregadora do setor industrial da Bahia.

A declaração ocorre em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A proposta também tem provocado discussões sobre produtividade, custos para as empresas e condições de trabalho.

A posição da montadora contrasta com a preocupação manifestada pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Em comunicado divulgado no dia 15 de outubro, a entidade reconheceu a importância da redução da jornada de trabalho, mas alertou para possíveis impactos econômicos e sociais da medida.

Meta é produzir 600 mil veículos por ano na Bahia

Além de comentar as possíveis mudanças na legislação trabalhista, Alexandre Baldy destacou os planos de expansão da BYD no estado. A montadora estabeleceu como objetivo alcançar uma produção anual de 600 mil veículos na unidade de Camaçari.

Atualmente, a capacidade instalada da fábrica é de aproximadamente 150 mil automóveis por ano. De acordo com o executivo, a procura por veículos supera o volume que a unidade consegue produzir hoje, reforçando a perspectiva de ampliação das operações e geração de novos postos de trabalho.

A empresa afirma que pretende adequar sua estrutura às eventuais mudanças na legislação, mantendo os investimentos e os planos de crescimento industrial na Bahia.

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