Julgamento de habeas corpus de Hytalo Santos e marido é suspenso após pedido de vista no TJPB Redação 10 de fevereiro de 2026 Destaque, Julstiça, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O julgamento do pedido de habeas corpus do influenciador digital Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, presos preventivamente desde agosto de 2025, foi suspenso na manhã desta terça-feira (data) após um pedido de vista no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).O pedido foi feito pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, da Câmara Criminal do TJPB, depois de o relator do caso, desembargador João Benedito, votar pela concessão do habeas corpus. Com isso, a análise do pedido foi interrompida e não há nova data definida para a retomada do julgamento.Em seu voto, o relator entendeu que a prisão preventiva, que já dura cerca de seis meses, poderia ser substituída por medidas cautelares. Caso o entendimento fosse acolhido, o casal passaria a usar tornozeleira eletrônica, ficaria proibido de deixar as cidades de João Pessoa e Bayeux, além de não poder utilizar redes sociais nem manter contato com os adolescentes e familiares envolvidos na investigação.A defesa alegou haver constrangimento ilegal em razão da demora no julgamento do processo e destacou que os dois são réus primários, possuem residência fixa e não representam risco à instrução criminal.O UOL procurou a defesa de Hytalo Santos para comentar o andamento do processo. O espaço segue aberto para manifestação.Prisão e investigaçãoHytalo Santos e Israel Nata Vicente foram presos em 15 de agosto de 2025, em uma casa alugada em Carapicuíba (SP), durante operação da Polícia Civil. No local, oito pessoas estavam presentes, mas nenhum menor de idade foi encontrado. Foram apreendidos oito celulares e um veículo.Anteriormente, mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos na residência do casal em João Pessoa (PB). Como os investigados não foram localizados na ocasião, o juiz responsável pelo caso decretou a prisão preventiva, alegando risco de obstrução das investigações.Em audiência de custódia, Hytalo afirmou não compreender os motivos da prisão e disse estar confuso diante das acusações. A defesa classificou a medida como extrema e afirmou que adotaria os recursos cabíveis para garantir os direitos do influenciador.Denúncia do Ministério PúblicoSegundo o Ministério Público da Paraíba (MP-PB), Hytalo Santos e Israel Nata Vicente teriam aliciado crianças e adolescentes de famílias socialmente vulneráveis no município de Cajazeiras (PB). De acordo com a denúncia, os investigados teriam obtido o consentimento dos responsáveis mediante vantagens materiais e levado os menores para morar em João Pessoa.O MP sustenta que os adolescentes, chamados de “crias”, eram expostos em redes sociais em situações consideradas inadequadas, com trajes sumários e conteúdos que fariam alusão a práticas sexuais, além de ambientes classificados como “moralmente tóxicos”.Ainda conforme a denúncia, as vítimas teriam sido submetidas a procedimentos estéticos, controle rígido de rotina, isolamento do convívio familiar, restrição de comunicação, além de um regime de trabalho exaustivo sem remuneração, caracterizando possível cárcere privado e trabalho análogo à escravidão. Testemunhas incluem ex-assessores e ex-seguranças do casal.O Ministério Público também afirma que houve coação psicológica e interferência na construção da identidade dos adolescentes. O órgão aponta ainda que as vítimas teriam sido “ostentadas como troféus” e oferecidas em ambientes ligados ao crime organizado, em troca de favores e parcerias comerciais.Pedidos de indenizaçãoO Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) solicita o pagamento de R$ 12 milhões por dano moral coletivo, além de indenizações individuais que variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões para cada vítima. Também são requeridas medidas de proteção e assistência médica, psicológica e social.Para os menores de idade, os valores deverão ser depositados em poupança, com acesso permitido apenas após os 18 anos, salvo em casos de necessidade comprovada.O MP também responsabilizou pais e responsáveis legais, alegando que houve negligência ao permitir que os filhos fossem entregues a terceiros em troca de benefícios materiais e retirados do convívio familiar e escolar.O processo tramita em segredo de Justiça, com o objetivo de preservar informações sensíveis e evitar a revitimização de crianças e adolescentes envolvidos no caso.