O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende se manifestar na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas que discutirá a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. O encontro foi solicitado pelas delegações da Venezuela e da Colômbia na ONU e deve ocorrer na próxima segunda-feira (5).

De acordo com pessoas com conhecimento do tema ouvidas pela Folha de S.Paulo, a convocação da reunião foi apoiada por China e Rússia. A Colômbia, governada pelo presidente Gustavo Petro — crítico da ação militar americana — integra atualmente o Conselho de Segurança como membro não permanente.

O Brasil não ocupa assento no colegiado neste momento. No entanto, as regras das Nações Unidas permitem que países não membros participem das discussões, desde que solicitem autorização à presidência do Conselho, atualmente exercida pela Somália. A participação brasileira dependerá ainda de decisão sobre o formato da reunião, que pode ser aberta ou restrita a membros.

Caso seja autorizada a participação, a representação do Brasil na ONU poderá apresentar seus posicionamentos após as falas dos 15 integrantes do Conselho. O país, porém, não terá direito a voto em eventual deliberação.

A ação militar dos Estados Unidos, considerada a maior intervenção na América Latina em décadas, ocorreu no sábado (3). Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, forças dos EUA bombardearam a capital venezuelana, Caracas, e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ambos estão a bordo de um navio militar americano no Caribe e que seguirão para Nova York, onde serão julgados por acusações de narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.

Horas depois, Trump declarou à imprensa que os Estados Unidos irão governar a Venezuela até que haja uma transição política. Segundo ele, a produção de petróleo do país será retomada com empresas norte-americanas à frente das operações e da infraestrutura.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — e dez membros rotativos, com mandatos de dois anos. Além da Colômbia, integram atualmente o grupo Bahrein, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália.

O presidente Lula repudiou a ação militar dos Estados Unidos e afirmou que a detenção de Maduro representa uma linha “inaceitável”. Em publicação nas redes sociais, o presidente brasileiro declarou que ataques a países, em flagrante violação do direito internacional, contribuem para um cenário de violência, instabilidade e enfraquecimento do multilateralismo.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu Lula.