Governo Lula pretende se manifestar em reunião de emergência da ONU sobre ação militar dos EUA na Venezuela Redação 3 de janeiro de 2026 Destaque, Notícias, Política, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende se manifestar na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas que discutirá a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. O encontro foi solicitado pelas delegações da Venezuela e da Colômbia na ONU e deve ocorrer na próxima segunda-feira (5).De acordo com pessoas com conhecimento do tema ouvidas pela Folha de S.Paulo, a convocação da reunião foi apoiada por China e Rússia. A Colômbia, governada pelo presidente Gustavo Petro — crítico da ação militar americana — integra atualmente o Conselho de Segurança como membro não permanente.O Brasil não ocupa assento no colegiado neste momento. No entanto, as regras das Nações Unidas permitem que países não membros participem das discussões, desde que solicitem autorização à presidência do Conselho, atualmente exercida pela Somália. A participação brasileira dependerá ainda de decisão sobre o formato da reunião, que pode ser aberta ou restrita a membros.Caso seja autorizada a participação, a representação do Brasil na ONU poderá apresentar seus posicionamentos após as falas dos 15 integrantes do Conselho. O país, porém, não terá direito a voto em eventual deliberação.A ação militar dos Estados Unidos, considerada a maior intervenção na América Latina em décadas, ocorreu no sábado (3). Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, forças dos EUA bombardearam a capital venezuelana, Caracas, e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ambos estão a bordo de um navio militar americano no Caribe e que seguirão para Nova York, onde serão julgados por acusações de narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.Horas depois, Trump declarou à imprensa que os Estados Unidos irão governar a Venezuela até que haja uma transição política. Segundo ele, a produção de petróleo do país será retomada com empresas norte-americanas à frente das operações e da infraestrutura.O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — e dez membros rotativos, com mandatos de dois anos. Além da Colômbia, integram atualmente o grupo Bahrein, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália.O presidente Lula repudiou a ação militar dos Estados Unidos e afirmou que a detenção de Maduro representa uma linha “inaceitável”. Em publicação nas redes sociais, o presidente brasileiro declarou que ataques a países, em flagrante violação do direito internacional, contribuem para um cenário de violência, instabilidade e enfraquecimento do multilateralismo.“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu Lula.