Diante das dificuldades de Geraldo Alckmin (PSDB) avançar nas pesquisas de intenções de votos, alguns partidos do bloco conhecido como ‘centrão’ (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade) e setores de outras dessas siglas já demonstram a intenção de aderir à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que deve ir ao segundo turno com Fernando Haddad (PT).

O grupo, porém, ainda insiste no discurso de que poderá haver uma “virada”, culminando na ascensão do tucano nas preferências do eleitorado. Coordenador da campanha de Alckmin e presidente nacional do DEM, o prefeito ACM Neto disse ao BNews, na última semana, que as eleições não podem ficar “entre a comoção de uma facada e a comoção de uma prisão”.

“O Brasil não pode ficar refém dos extremos, da extrema direita e da extrema esquerda. Precisamos de uma conciliação e de alguém que entenda os problemas do país. Sem revanchismos ou riscos institucionais ou democráticos”, declarou.

Já o presidente do DEM na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia, descartou, no início do mês, em entrevista ao BNews, qualquer possibilidade de apoiar o PT: “Estou muito preocupado com a Venezuela. O PT não levou o Brasil para a Venezuela porque nós, eu, fiz muita oposição ao PT. Fiz muita oposição ao PT durante muito tempo”.

Caminhos

Para o cientista político Joviniano Neto, embora ACM Neto precise mostrar que “Alckmin é a alternativa”, o caminho natural para o partido é se unir a Bolsonaro.

“Já o PSDB fica em situação cruel. Parte dos eleitores de Bolsonaro foi tirado do PSDB. O eleitorado do candidato do Novo [João Amoêdo] também vai para Bolsonaro por conta das ideias sobre a economia. Os do Cabo Daciolo também. Alvaro Dias é forte no Sul, onde o anti-petismo é grande, mas tudo dependerá de como o eleitorado se dividirá”, avaliou.

Neste domingo (23), durante ato pró-Bolsonaro em Salvador, o senador Magno Malta, que é do PR, disse que o candidato do presidenciável na Bahia é José Ronaldo (DEM). “Precisamos derrotar o PT na Bahia. Eu também, lá atrás, fui enganado pelo PT”, bradou.

Para o especialista, no entanto, o ‘centrão típico’, como o PR e o PSD, deverá se dividir de forma mais clara, principalmente nos estados. “O ‘centrão típico’, característico, vai analisar. O PR, PSD, atendendo a uma tendência natural, deve liberar as bases, e as cúpulas, negociarem”, acredita. “Nessas questões regionais, Haddad se favorece melhor porque é mais fácil dialogar com ele”, acrescentou. Na Bahia, por exemplo, PR, PSD e PP apoiam o governador Rui Costa (PT) e Fernando Haddad (PT).

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