Proposta de delação rejeitada cita ACM Neto e Antonio Rueda em suposto esquema com o Banco Master Redação 10 de setembro de 2026 Bahia Uma proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apontou que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, teriam atuado para viabilizar o aporte de recursos públicos na instituição financeira em troca de vantagens indevidas.Apesar de ter sido rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por ausência de dados inéditos e falta de garantias de ressarcimento, a proposta voltou a ganhar repercussão após a divulgação de um relatório de inteligência da PF pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O ministro André Mendonça determinou o desmembramento das investigações em relação aos dois políticos.Principais pontos da acusação e divergências identificadas: Comissão de 10%: Vorcaro alegou a existência de um acordo para o pagamento de 10% sobre os valores captados junto a entidades públicas e institutos de previdência, gerando uma estimativa de R$ 200 milhões a receber pela dupla. No entanto, o texto não comprova quanto foi efetivamente pago nem explica a metodologia do cálculo. Instituições citadas: O documento cita intermediações no Rioprevidência, Amprev (Amapá), Amazonprev (Amazonas) e Cedae. Contudo, enquanto Vorcaro mencionou uma captação de R$ 2 bilhões, os aportes reais desses órgãos somam R$ 3,62 bilhões, discrepância não esclarecida no relato. Formas de repasse: A proposta descreve o uso de contratos de consultoria (como da A&M Consultoria Ltda. e B6 Capital) e advocacia (escritório Rueda & Rueda), além de entregas em espécie. Vorcaro sustentou que os contratos serviam para dar aparência legal às comissões. Inconsistência nos valores: Enquanto a delação mencionava pagamentos mensais de R$ 3 milhões ao escritório de Rueda, dados do Coaf e de quebras de sigilo enviados à CPI do Crime Organizado indicam o repasse de R$ 6,4 milhões a escritórios do dirigente entre 2022 e 2025. A empresa vinculada a ACM Neto figura com o recebimento de R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025. Provas apresentadas: O material anexado inclui trocas de mensagens sobre agendamentos de reuniões e logística de transporte aéreo, além de citações a outros empresários, como João Carlos Mansur (da Reag).Posicionamento das partesA PGR manifestou-se contrária a medidas de busca e apreensão contra Antonio Rueda devido à fragilidade do conjunto probatório.Em resposta, Antonio Rueda declarou ser difícil se pronunciar sobre um documento ao qual não teve acesso e negou qualquer irregularidade. ACM Neto classificou as acusações contidas no documento como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.