A Fifa foi alvo de uma denúncia apresentada à Comissão Europeia por entidades que representam torcedores e consumidores, que contestam os preços dos ingressos e os métodos de comercialização da Copa do Mundo de 2026, que será realizada na América do Norte.

A reclamação foi formalizada nesta terça-feira (24) pela Football Supporters Europe (FSE), em parceria com a Euroconsumers. As organizações acusam a entidade máxima do futebol de abusar de sua posição dominante no mercado, com base no artigo 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que trata de práticas monopolistas.

Segundo os denunciantes, a Fifa concentra o controle total da venda de ingressos e estaria impondo condições consideradas prejudiciais ao público. Entre os principais pontos questionados estão os altos preços e o uso do modelo de precificação dinâmica, no qual os valores variam conforme a demanda.

Embora existam ingressos anunciados a partir de cerca de US$ 60, as entidades afirmam que essas opções são limitadas e difíceis de serem adquiridas pelos consumidores. Também foram criticadas práticas conhecidas como “dark patterns”, estratégias que criam senso de urgência e pressionam o comprador a concluir a aquisição rapidamente.

De acordo com a denúncia, essas medidas acabam restringindo o acesso de parte significativa dos torcedores, além de elevar o custo final com taxas de revenda que podem chegar a 15%.

O caso surge em meio ao aumento da pressão política sobre a Fifa na Europa. O comissário europeu Glenn Micallef também demonstrou preocupação com a organização do torneio de 2026, citando fatores externos ao esporte.

Em declaração ao site Politico, Micallef questionou a realização do evento diante de cenários internacionais delicados e criticou a parceria da Fifa com o chamado “Board of Peace”, vista por autoridades europeias como uma tentativa de contornar o papel da ONU.

As entidades defendem que a comercialização de ingressos siga as regras de concorrência do mercado europeu e citam decisões recentes, como o caso da Superliga, que estabeleceram limites ao poder de organizações esportivas.

Caso a Comissão Europeia dê andamento à análise, a Fifa poderá ser investigada formalmente e obrigada a adotar medidas como maior transparência nos processos de venda e revisão das práticas comerciais.