O sistema elétrico de Cuba enfrenta uma grave crise que tem provocado apagões frequentes em grande parte da ilha, em meio a uma combinação de infraestrutura envelhecida e escassez de combustível. A situação vem se intensificando nas últimas semanas com cortes no fornecimento de petróleo e dificuldades para manter a geração de energia, afetando serviços públicos e o cotidiano da população. 

Segundo relatórios da Unión Eléctrica (UNE), abastecer a demanda energética tornou-se um desafio constante, com déficits que já chegam a milhares de megawatts em relação à capacidade de geração. A insuficiência de combustível tem levado a cortes programados de eletricidade e a interrupções prolongadas em várias províncias. 

Este quadro de apagões ocorre em um contexto de restrições às importações de petróleo, exacerbadas por políticas externas que afetaram o envio de combustível de parceiros tradicionais ao longo do último ano.  Como resultado, houve um impacto direto sobre a produção de energia térmica, que depende de derivados de petróleo para manter as usinas em operação. 

Além dos cortes de luz, um incêndio atingiu um dos depósitos da refinaria Ñico López, em Havana, durante a crise energética. As autoridades afirmaram que as chamas foram controladas e que as causas do acidente estão sob investigação. 

O desabastecimento de combustível e a redução da geração elétrica também já começam a afetar setores estratégicos, como o turismo e o transporte. Eventos importantes, como o Festival del Habano, foram adiados em meio à crise, e companhias aéreas enfrentam dificuldades de operação devido à falta de combustível de aviação. 

O governo cubano anunciou medidas de emergência para enfrentar a situação, incluindo a redução da jornada de trabalho em empresas estatais, restrições nas vendas de combustível e ajustes no transporte público. 

Especialistas destacam que a fragilidade da infraestrutura elétrica, agravada por limitações de peças, recursos financeiros e a falta de investimentos, torna a recuperação do sistema mais complexa e prolongada. Enquanto isso, regiões urbanas e áreas prioritárias têm recebido energia de forma mais frequente, apontando para uma gestão por prioridades diante da escassez. 

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