O governo da Argentina devolveu integralmente os US$ 20 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 107 bilhões na cotação atual — enviados pelos Estados Unidos em outubro do ano passado como linha de financiamento. A devolução ocorreu dias antes da eleição legislativa que resultou na vitória do partido do presidente Javier Milei.

A informação foi confirmada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, por meio de uma publicação na rede social X. Segundo ele, o reembolso antecipado foi um indicativo da estabilidade financeira do país sul-americano.

“Tenho o prazer de anunciar que, como sinal de sua estabilidade financeira, a Argentina reembolsou de forma rápida e integral o empréstimo”, escreveu Bessent.

O montante havia sido repassado por meio de um acordo conhecido como swap cambial — mecanismo de troca de moedas — anunciado como um gesto de apoio do então presidente americano Donald Trump ao governo de Milei, seu aliado ideológico na América Latina. O objetivo da operação era contribuir para a estabilização do peso argentino às vésperas da disputa eleitoral.

“Estabilizar um aliado sólido dos Estados Unidos é essencial para avançar na política ‘Estados Unidos Primeiro’”, afirmou Bessent ao comentar a operação.

Além do swap, o Tesouro americano informou, à época, que vinha negociando há semanas com agentes privados um novo pacote de apoio financeiro no valor de US$ 20 bilhões para auxiliar a Argentina no pagamento de sua dívida externa. No entanto, essa assistência acabou se limitando a um empréstimo de US$ 3 bilhões — cerca de R$ 16 bilhões — concedido no início de janeiro.

Esse financiamento menor não contou com a participação de bancos americanos, sendo viabilizado por instituições europeias como Santander, BBVA e Deutsche Bank.