O governador Geraldo Alckmin (PSDB) reforçou sua posição como candidato dos partidos hoje governistas, mas precisa emplacar algo entre 10% e 15% de intenções de voto até abril para poder fazer deslanchar sua campanha ao Palácio do Planalto.

Essa é a avaliação de estrategistas tucanos e de algumas figuras de proa de siglas aliadas ao governo Michel Temer neste começo de ano.

E se o tucano chegar ao mês da desincompatibilização obrigatória para concorrer empacado na casa dos cerca de 8% que registra hoje nas pesquisas eleitorais?

Aí as especulações variam, mas em geral apontam convergência para a necessidade de buscar um representante do “novo”, e ele hoje atende pelo nome de Luciano Huck.

O apresentador já se anunciou fora da disputa, mas mantém contato com marqueteiros e nomes da política porque não abandonou completamente a ideia de concorrer.

E abril também é limite para ele, no caso para filiar-se a algum partido. O PPS já o convidou formalmente.

Mesmo João Doria, o prefeito paulistano que se dirige para ser o candidato tucano à sucessão de Alckmin, é citado em conversas como uma opção para esse cenário.

Aliados do governador, contudo, mantêm um otimismo reservado sobre as chances de decolagem de sua candidatura. O começo do ano trouxe boas notícias a eles.

As manifestações dos ministros Gilberto Kassab (PSD) e Carlos Marun (MDB) não descartando apoio ao tucano na semana passada foram vistas como senhas de algo já conhecido: apesar do cenário pulverizado, há pouco espaço para mais uma candidatura centrista viável, como a do ministro Henrique Meirelles (Fazenda, PSD) ou de algum nome do DEM.

Todo o borbulhar especulativo de dezembro e janeiro sobre eles tem mais a ver com garantir peso e voz na composição que vai a campo a partir de abril, na visão desses aliados de Alckmin.

Eles creditam muito desse otimismo ao que chamam de gravidade: o quadro político estará mais decantado a partir de fevereiro ou março, quando estará clara a situação jurídica de Lula (PT).

O líder das pesquisas poderá ser impedido de concorrer pela Justiça ao julgar seu recurso à condenação por corrupção no próximo dia 24.

Nesse caso, ele se manterá no páreo de forma precária, aguardando liminares e novas decisões. Há a expectativa sobre o efeito da crescente percepção de que Lula não poderá ao fim concorrer, que poderá iniciar o fatiamento de seu eleitorado, hoje nos 35%.

Aí será possível ver com mais clareza o potencial do deputado Jair Bolsonaro (hoje no PSC) sobre a parte desse grupo fiel a Lula que não se considera de esquerda e busca discursos de Estado provedor com algum nacionalismo.

Petistas, por sua vez, apostam justamente no contrário: que uma eventual condenação galvanizará o apoio a Lula, que irá apostar na imagem de vítima de perseguição.

No campo conservador, a tão falada pulverização ainda é fenômeno a se comprovar. Como não há no horizonte uma recuperação econômica espetacular, são poucos os que veem Meirelles como mais do que candidato a continuar no cargo.

Alvaro Dias, senador pelo Podemos-PR, tem potencial para criar embaraços a Alckmin no Sul do país, como o Datafolha já apontou. Mas é visto como um aliado natural para eventual segundo turno.

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