A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta terça-feira (14) a Operação Sophia para desarticular uma organização criminosa suspeita de criar campanhas falsas de doação na internet utilizando imagens de crianças com câncer para aplicar golpes.

A ação ocorre nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, com o cumprimento de 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 12 pessoas foram presas.

Segundo as investigações, o grupo utilizava anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram para atrair doadores. As vítimas eram direcionadas para páginas falsas que imitavam plataformas de arrecadação, onde eram disponibilizados QR Codes e chaves Pix para o envio dos valores.

A polícia informou que os criminosos copiavam o visual de sites legítimos de campanhas solidárias e usavam empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e domínios registrados no exterior para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Durante a operação, os agentes buscam apreender celulares, computadores, documentos, cartões bancários e outros materiais que possam comprovar a estrutura financeira e tecnológica utilizada pelo grupo.

As investigações apontam ainda que os suspeitos faziam uso de inteligência artificial, deepfakes, clonagem de voz e ferramentas para manipular áudios, vídeos e ocultar rastros digitais.

O caso que deu origem ao inquérito envolveu uma criança em tratamento contra o câncer, cuja imagem foi utilizada sem autorização da família. De acordo com a Polícia Civil, os parentes não receberam nenhum dos valores arrecadados.

Até o momento, foram rastreados cerca de R$ 294,5 mil relacionados à campanha falsa que iniciou a investigação. Além disso, uma empresa apontada como responsável por movimentar recursos do esquema teria registrado movimentações superiores a R$ 1,7 milhão durante o período investigado.

A Polícia Civil orienta que, antes de realizar qualquer doação pela internet, a população verifique a autenticidade da campanha, confirme as informações diretamente com a família ou instituição responsável e confira se a chave Pix pertence ao verdadeiro beneficiário.

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