* Por Elisângela Araújo

Ontem, milhões de brasileiros sentiram o peso da derrota. O sonho do hexa foi interrompido, e a tristeza tomou conta de quem acredita no futebol como parte da nossa identidade.
Mas hoje o Brasil acordou.

Acordou cedo, como sempre fazem as mulheres e os homens do campo. Enquanto muitos ainda comentavam o resultado do jogo, agricultores e agricultoras familiares já estavam de pé, preparando a terra, cuidando dos animais, colhendo alimentos e fazendo o que nunca pode esperar: garantir comida na mesa do nosso povo.

Quem vive da terra sabe que perder faz parte da caminhada.

Há dias em que a chuva não chega. Há dias em que ela vem demais. Há pragas, estiagens, dificuldades, preços injustos e tantos desafios que não aparecem na televisão. Ainda assim, ninguém abandona a lavoura por causa de uma derrota. No dia seguinte, é preciso plantar outra vez.

Talvez essa seja uma das maiores lições do campo.A esperança não nasce da certeza de vencer. Ela nasce da coragem de recomeçar.

É essa força que move a agricultura familiar, sustenta milhares de famílias e alimenta cidades inteiras. É essa gente que transforma trabalho em dignidade, cuidado em alimento e resistência em futuro.

Como agricultora familiar, tenho orgulho de fazer parte dessa história. Sei que defender o campo é defender a vida, a segurança alimentar, a preservação da nossa terra e o direito de quem produz com tanto esforço ser valorizado. O futebol vai nos dar outras oportunidades para sonhar.

Mas o Brasil que realmente não pode parar é o Brasil que planta, colhe, trabalha e acredita que dias melhores são construídos com as próprias mãos.

É por esse Brasil que sigo lutando. Um Brasil que, mesmo depois das derrotas, nunca perde a capacidade de semear esperança.

Elisangela Araújo é ex-secretária de Políticas para as Mulheres e Suplente de Deputada Federal

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