O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a volta à prisão do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A Quinta Turma da Corte revogou o habeas corpus que permitia ao artista responder em liberdade sob monitoramento eletrônico e restabeleceu a prisão preventiva.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira pelo ministro Joel Ilan Paciornik. Segundo ele, o cantor descumpriu de forma reiterada as medidas cautelares impostas pela Justiça. As falhas teriam ocorrido principalmente no período noturno e aos fins de semana, quando o acusado permanecia longos intervalos — de até 10 horas — com a tornozeleira eletrônica sem carga.

Em seu voto, o ministro apontou que a conduta gerou “lacunas nos mapas de movimentação do acusado” e tornou a fiscalização “ineficaz”. Um relatório técnico citado na decisão indicou 28 interrupções no sinal do equipamento em um intervalo de 43 dias, entre 30 de setembro e 12 de novembro do ano passado.

Paciornik destacou que o número de falhas ultrapassa o que poderia ser considerado um simples problema de carregamento. Para o magistrado, a situação compromete o controle estatal sobre a liberdade do investigado, inviabiliza o monitoramento de deslocamentos e frustra a fiscalização determinada judicialmente. Ele também mencionou risco de fuga diante do desrespeito às medidas cautelares.

A defesa do rapper alegou que as interrupções ocorreram por problemas na bateria do dispositivo. Segundo os advogados, os registros apontam apenas descarregamento do equipamento, sem descumprimento de outras determinações judiciais, o que afastaria a necessidade de retorno à prisão.

O entendimento do STJ, no entanto, foi diferente. A Corte concluiu que a repetida falta de carga na tornozeleira eletrônica não configura mera irregularidade administrativa, mas um comportamento que representa risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal. Com isso, foi determinada a imediata recondução do artista à prisão preventiva.

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