Lucas Hernández é denunciado na França por suposto trabalho irregular e tráfico de pessoas Redação 21 de janeiro de 2026 Destaque, Esporte, Futebol, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS O zagueiro Lucas Hernández, jogador do Paris Saint-Germain e campeão do mundo com a seleção francesa em 2018, tornou-se alvo de uma denúncia por suposto trabalho dissimulado e tráfico de seres humanos. A informação foi divulgada pela revista Paris Match, que teve acesso à queixa apresentada ao Ministério Público de Versalhes.De acordo com a denúncia, uma família colombiana — composta por um casal e três filhos — teria prestado serviços ao atleta e à sua companheira, Victoria Triay, entre setembro de 2024 e novembro de 2025, sem qualquer vínculo formal de trabalho. Os serviços teriam sido realizados em uma residência localizada no departamento de Yvelines, na região metropolitana de Paris.O relato aponta que os cinco integrantes da família exerciam diversas funções, como segurança, jardinagem, serviços domésticos, preparo de refeições e cuidados com crianças. As jornadas de trabalho variariam entre 72 e 84 horas semanais, com pagamentos feitos exclusivamente em dinheiro, sem contratos, registros trabalhistas ou contribuições sociais.Segundo a queixa, o primeiro contato ocorreu em junho de 2024, quando Marie, então na Colômbia, foi convidada por Victoria Triay a trabalhar na França, com a promessa de regularização da situação migratória em até seis meses. A jovem teria entrado no país apenas com passaporte, sem visto de trabalho, e afirma que a regularização nunca foi realizada.Com o passar do tempo, outros membros da família teriam sido incorporados à rotina da residência. Marie e a mãe teriam trabalhado de domingo a domingo, inclusive em turnos noturnos, recebendo cerca de 2 mil euros mensais. Já os homens da família, responsáveis pela segurança do imóvel, teriam recebido valores entre 500 e 3 mil euros, havendo ainda a alegação de que atuavam armados em alguns momentos.A advogada dos denunciantes, Lola Dubois, afirma que nenhum dos trabalhadores teve acesso a contratos formais, férias ou benefícios sociais. “Trata-se de uma privação total de direitos. O fato de um jogador profissional, assessorado por advogados, nunca ter fornecido contratos demonstra a intencionalidade da infração”, declarou.A denúncia também menciona que, em fevereiro de 2025, os trabalhadores teriam sido pressionados a assinar acordos de confidencialidade e teriam recebido documentos de identidade espanhóis falsos, supostamente para simular situação legal no país. Apenas em outubro de 2025, após a dispensa de duas funcionárias, contratos teriam sido elaborados de forma retroativa, com jornadas parciais que, segundo os denunciantes, não refletiam a realidade.Outro episódio citado envolve uma tentativa de assalto à residência do jogador, em dezembro de 2024. Conforme o depoimento, integrantes da família teriam reagido para impedir o crime, e imagens de câmeras de segurança sustentariam parte da versão apresentada.Desde novembro de 2025, a família afirma não manter mais vínculo com o atleta, mas relata ter sofrido intimidações após o rompimento. “Fomos explorados e humilhados. Prometeram regularização, mas isso nunca aconteceu”, afirmou Marie.Procurado pela imprensa francesa, o agente de Lucas Hernández informou que o jogador e sua companheira não tinham conhecimento da denúncia e disseram ter sido surpreendidos pelas acusações. O caso segue em análise pelas autoridades judiciais da França.