Dados serão discutidos no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026) que acontece de 9 a 12 de setembro no Centro de Convenções de Salvador; e apontam espera média de 370 dias e recorde de 17.790 cirurgias em 2025

Enquanto a capital baiana se prepara para receber, de 9 a 12 de setembro, o maior congresso de oftalmologia da América Latina, um número expõe a urgência do tema: 1.983 pessoas aguardam, neste mês, por um transplante de córnea na Bahia. O dado integra o panorama divulgado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), no Centro de Convenções de Salvador.

O cenário baiano espelha um paradoxo nacional. Atualmente, 37.719 pessoas estão na fila por transplante de córnea em todo o Brasil, em dezembro de 2025, eram 32.639, um aumento de 24% em apenas seis meses. Apesar disso, o país nunca realizou tantos procedimentos: em 2025, foram 17.790 cirurgias, um marco histórico.

Mesmo operando próximo à autossuficiência teórica para seu fluxo anual, a lista de espera ativa continua crescendo, reflexo do ritmo rápido de novas indicações médicas e do passivo acumulado ao longo dos anos. Como consequência, uma pessoa que aguarda um transplante de córnea no Brasil leva, em média, 370 dias para realizar a cirurgia, mais que o dobro dos 174 dias registrados há dez anos, segundo comparação do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) entre 2015 e 2024.

O CBO aponta múltiplas causas: a falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos, o impacto da pandemia de covid-19 (que represou pacientes entre 2020 e 2023), os custos dos bancos de olhos frente a insumos cotados em dólar e o incremento de exigências nas fases de produção e processamento da córnea. Na Bahia, a estrutura estadual, com o Banco de Olhos da Bahia, entidade pública sem fins lucrativos, e centros transplantadores em Salvador e Vitória da Conquista, enfrenta esses mesos desafios para manter a captação e reduzir a espera.

Durante o Congresso, assuntos como o uso da IA na medicina, impactos negativos do consumo de álcool na visão, também serão discutidos durante o CBO 2026