Em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro defendeu a fusão entre o Banco Master e o estatal BRB (Banco de Brasília), alegando que a operação seria benéfica para o sistema financeiro. A declaração, no entanto, foi recebida por membros da Procuradoria-Geral da República (PGR) como um “estado de negação”.

As investigações apontam um esquema de repasse de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado falsas do Master para o BRB por meio de uma empresa recém-criada, a Tirreno — ligada ao ex-diretor do Master, Augusto Lima. A documentação enviada ao Banco Central não comprovou a origem dos recursos, revelando que o BRB pagou bilhões por uma carteira “vazia”.

Pressão de grandes bancos e tentativa de venda a árabes

Vorcaro alegou ter sido vítima de retaliação e perseguição de representantes de grandes bancos após o crescimento do Banco Master. Segundo o ex-banqueiro, pressões do setor provocaram mudanças regulatórias entre 2022 e 2023 que sufocaram a saúde financeira da instituição, motivando a tentativa de fusão com o BRB e a busca por investidores estrangeiros.

Ele relatou ter firmado contratos com fundos de pensão dos Emirados Árabes para salvar a instituição. Em 17 de novembro de 2025, comunicou ao Banco Central que viajaria a Dubai para fechar o negócio. Contudo, a reunião com o órgão — que contou com a presença do diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, e de dois servidores suspeitos de receber propina de Vorcaro — teria antecipado a liquidação do banco e sua prisão.

Erros e motivações políticas

Apesar de negar irregularidades nas operações, Vorcaro admitiu ter cometido falhas no processo. O ex-banqueiro concluiu seu relato afirmando que sua queda e prisão foram fruto de uma guinada no sistema motivada por razões econômicas e políticas.