Começa em Crotone julgamento de policiais e guardas costeiros por atraso em resgate que deixou 94 mortos na Itália Redação 31 de janeiro de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS Quatro policiais e dois funcionários da Guarda Costeira da Itália começaram a ser julgados nesta sexta-feira (30), na cidade de Crotone, no sudeste do país, acusados de atraso no resgate de uma embarcação com migrantes que naufragou em 2023. O desastre, que resultou em pelo menos 94 mortes, é considerado o pior registrado na Itália nos últimos dez anos.A tragédia aconteceu na costa da região da Calábria, quando o barco encalhou nas rochas em frente à cidade de Cutro, no dia 26 de fevereiro de 2023. Entre as vítimas estavam 35 crianças. Cerca de 80 pessoas sobreviveram, mas autoridades italianas acreditam que o número de mortos pode ser ainda maior, já que alguns corpos nunca foram encontrados.Os réus, quatro oficiais da Guardia di Finanza (GDF) — força policial financeira que também atua na vigilância marítima — e dois integrantes da Guarda Costeira, compareceram ao primeiro dia de julgamento, conforme noticiado pela imprensa local. Eles respondem por homicídio culposo e naufrágio por negligência, crimes previstos no código penal italiano.O barco superlotado havia partido da Turquia, transportando migrantes do Afeganistão, Irã, Paquistão e Síria. Segundo a acusação, as autoridades foram alertadas sobre a situação precária da embarcação com horas de antecedência, mas uma operação de busca e resgate não foi realizada em tempo hábil.Um avião da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras (Frontex) identificou o barco em dificuldades pouco depois das 23h, a cerca de 38 quilômetros da costa, e comunicou as autoridades italianas. Posteriormente, um navio da Guardia di Finanza foi enviado à área, mas retornou devido às condições climáticas adversas. Cerca de quatro horas depois, a embarcação acabou colidindo contra as rochas próximas à praia.Os promotores afirmam que houve falhas de comunicação e que a resposta das forças envolvidas foi retardada após a situação ser inicialmente avaliada como uma operação policial marítima, e não como uma missão de resgate.