Aliados intensificam pressão por prisão domiciliar de Bolsonaro após queda na sede da PF Redação 8 de janeiro de 2026 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS A queda sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dentro da sede da Polícia Federal, em Brasília, levou familiares e aliados a intensificarem a pressão por sua transferência para o regime de prisão domiciliar. O episódio também motivou comparações com o ex-presidente Fernando Collor, que cumpre pena em casa, e com Clériston Cunha, o “Clezão”, preso pelos atos de 8 de Janeiro e que morreu no Complexo Penitenciário da Papuda.Além de um novo pedido que será apresentado pela defesa ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, deputados federais avaliam enviar ofícios ao presidente da Corte, Edson Fachin, solicitando que acompanhe decisões relacionadas à saúde de Bolsonaro. Um primeiro pedido foi encaminhado nesta terça-feira (6) pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Segundo o deputado coronel Chrisóstomo (PL-RO), outros parlamentares devem adotar a mesma iniciativa nos próximos dias.Integrantes da bancada do PL afirmam que a prisão domiciliar deve se tornar a principal pauta do grupo no Congresso, nos moldes da campanha recente em defesa de uma anistia ampla. Para a deputada Bia Kicis (PL-DF), a situação é grave. “É muito importante que ele vá para casa. Está claro o risco que ele corre, até de morrer. Trata-se de uma prisão humanitária e de uma questão de responsabilidade”, afirmou.Nos bastidores, interlocutores do ex-presidente demonstram incômodo com a postura da equipe médica, que não tem corroborado o discurso de que Bolsonaro apresenta um quadro de saúde grave. Na avaliação de aliados, são os médicos que têm credibilidade para sustentar juridicamente um pedido de prisão domiciliar, e não apenas os familiares.Os boletins médicos divulgados após internações recentes, no fim de dezembro e nesta quarta-feira (7), indicaram, porém, que Bolsonaro não apresenta problemas graves. Segundo o último comunicado, exames de imagem mostraram “leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica”.Aliados também questionam o fato de Bolsonaro ter recebido alta hospitalar no dia 1º de janeiro e, poucos dias depois, ter sofrido um novo mal-estar, culminando na queda durante a madrugada. De acordo com apuração da Folha, familiares, amigos e advogados do ex-presidente têm sido orientados a pressionar a equipe médica para que os cuidados e a comunicação à imprensa reflitam maior gravidade do quadro clínico.Apesar de avaliações internas de que a exposição da fragilidade da saúde poderia afetar sua imagem política, parte dos aliados considera que não haveria prejuízo, já que os problemas de saúde do ex-presidente são conhecidos e o tratamento deve ser prioridade.Após avaliá-lo nesta quarta-feira, o cardiologista Brasil Caiado afirmou que a lesão não é preocupante, mas ressaltou que Bolsonaro não tem condições de permanecer sozinho.Familiares também passaram a classificar a cela na Superintendência da PF no Distrito Federal como “insalubre”, citando umidade e ruído constante do ar-condicionado central. A Polícia Federal informou ao ministro Alexandre de Moraes que não tem como solucionar o problema.“Ele não dorme. É torturante. O barulho do ar-condicionado central impossibilita qualquer pessoa de ter uma vida saudável, mesmo em uma solitária”, afirmou Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente. Segundo ele, o receio é de que novos acidentes ocorram caso Bolsonaro permaneça detido no local.A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também apontou negligência da PF e afirmou que caiu por terra a alegação de que o ex-presidente teria pronto atendimento médico. Ela comparou ainda a situação do marido à de Fernando Collor, que cumpre pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. “Meu marido tem outras comorbidades”, disse.Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, em uma sala na sede da Polícia Federal em Brasília. Durante período anterior em prisão domiciliar, ele chegou a tentar romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.