Brasileiros Deportados dos EUA Relatam Coação e Maus-Tratos Redação 31 de agosto de 2025 Destaque, Notícias, ultimas notícias, ÚLTIMAS NOTÍCIAS Nesta semana, brasileiros desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), após serem deportados dos Estados Unidos sob um programa de deportação voluntária implementado pelo governo de Donald Trump. Os deportados alegam que foram coagidos a aderir ao programa, que visava acelerar sua saída do território americano.O voo, que partiu da Louisiana e fez uma escala na República Dominicana, trouxe um grupo que, segundo relatos, passou meses detido e não optou por deixar o país de forma voluntária. Ao desembarcarem, muitos estavam em uniformes de centros de detenção, trazendo apenas uma sacola com alguns pertences e, em alguns casos, sem documentos.Funcionários da ONU e do Ministério dos Direitos Humanos receberam os deportados e expressaram surpresa com as condições em que se encontravam. A Gol foi contratada para realizar o transporte, mas depoimentos dos deportados indicam que a maioria havia sido presa por meses e não havia optado pela deportação.Um dos deportados, Erivelton Natalino da Silva, que morou nos EUA por mais de 20 anos, relatou que ele e sua esposa tinham um número social, necessário para residentes permanentes, e estavam aguardando a cidadania americana. Em junho, ele foi preso e, apesar de ter um processo de permanência em andamento, foi colocado em um voo de deportação. Sua família, que não sabia de seu paradeiro, ficou surpresa ao vê-lo desembarcar.Carlos Fagundes, outro deportado, descreveu as condições desumanas nas penitenciárias, onde foi mantido algemado e sem alimentação adequada. “Chegamos a ficar até 20 horas sem comer nem beber nada”, afirmou. Ele e outros deportados relataram que a alimentação era escassa, consistindo em apenas três sanduíches por dia.Alguns deportados mostraram à reportagem um documento que afirmam ter sido obrigados a assinar, que continha instruções para acessar um auxílio de US$ 1.000. No entanto, para receber esse valor, é necessário comprovar a presença no Brasil, além de fornecer uma foto do passaporte, que muitos não possuem mais.A embaixada dos EUA em Brasília defendeu a legalidade do processo, afirmando que deportações são realizadas de forma segura e respeitosa, mas não respondeu aos relatos de maus-tratos. O governo americano oferece incentivos, como a possibilidade de retornar legalmente aos EUA, para aqueles que solicitam a saída pelo aplicativo do programa.As histórias de Erivelton e Carlos refletem um panorama preocupante sobre a situação dos imigrantes brasileiros nos EUA, destacando a necessidade de uma discussão mais profunda sobre direitos humanos e as condições enfrentadas por quem busca uma vida melhor fora do país.