Destruição no Himalaia: Nepal cobra financiamento climático após tragédia com impacto de até US$ 5 bilhões Redação 29 de agosto de 2026 Bahia Catástrofe provocada pelo colapso de uma geleira deixa centenas de mortos e expõe a morosidade na liberação de recursos internacionais para países em extrema vulnerabilidade. Um rastro de destruição na região do Himalaia reacendeu o debate global sobre injustiça climática e a lentidão dos fundos internacionais de socorro. O governo do Nepal estima que precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas devastadas por uma avalanche de lama, rochas e gelo — valor que representa quase 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) da nação asiática.A tragédia, ocorrida no Parque Nacional de Langtang (próximo à fronteira com a China), deixou um saldo trágico de pelo menos 675 mortos e cerca de 3 mil pessoas desaparecidas no Nepal e no Tibete.O colapso da geleira foi tão violento que gerou uma onda de energia equivalente a um terremoto de magnitude 5,2 na escala Richter. A massa de detritos avançou por mais de 100 quilômetros pelos vales dos rios Trishuli e Bhote Koshi, varrendo vilarejos, destruindo estradas e danificando usinas hidrelétricas responsáveis por mais de 12% da energia do país.Burocracia global sob holofotesO desastre trouxe à tona duras críticas ao Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês). Organizações ambientais como a Friends of the Earth Asia Pacific denunciaram a morosidade do órgão, que levou mais de sete anos para aprovar um projeto de US$ 36,1 milhões voltado justamente para a prevenção e mitigação de riscos em lagos glaciais no Nepal.A proposta deu entrada no fundo em 2018, mas a aprovação final só ocorreu em meados de 2025.“Para comunidades que vivem abaixo de geleiras e lagos glaciais instáveis, sete anos não são um atraso administrativo. Podem ser a diferença entre ter um sistema de alerta precoce e enfrentar um desastre sem proteção adequada”, alertou Meena Raman, porta-voz de Justiça Climática da organização.O drama da injustiça climáticaA disparidade é gritante: embora o Nepal responda por menos de 0,01% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, o país figura entre os mais vulneráveis aos eventos extremos decorrentes do aquecimento global.Diante da dimensão dos estragos, autoridades nepalesas apelaram à comunidade internacional por ajuda urgente. O chanceler do país, Shisir Khanal, pediu uma coalizão global para “proteger o ecossistema do Himalaia”, enquanto o ministro das Finanças, Swarnim Wagle, ressaltou que os custos estimados ainda são preliminares e podem subir.A catástrofe atual é comparada ao devastador terremoto de 2015, que vitimou quase 9 mil pessoas e exigiu cerca de US$ 9 bilhões em reconstrução. Agora, ativistas e governos locais cobram que o Fundo para Resposta a Perdas e Danos (FRLD) libere verbas imediatas para o resgate e a recuperação da infraestrutura do país, defendendo que a prevenção climática deixe de ser refém de processos burocráticos lentos.