O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (7) que a Venezuela concordou em usar as receitas obtidas com a venda de petróleo exclusivamente para comprar produtos fabricados nos Estados Unidos. A declaração foi feita em uma publicação na sua rede social, Truth Social. 

Segundo Trump, os itens adquiridos com os recursos incluem produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos para infraestrutura, como melhorias na rede elétrica. “Em outras palavras, a Venezuela está comprometida a fazer negócios tendo os Estados Unidos da América como seu principal parceiro”, escreveu ele na postagem. 

Trump também disse que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade aos EUA, em um acordo que ele descreveu como benéfico para ambos os países. A produção do país está muito abaixo de seus níveis históricos, mas, segundo o republicano, essa quantidade poderia valer cerca de US$ 2,8 bilhões no mercado atual. 

O presidente afirmou que o petróleo será vendido ao preço de mercado e que a receita será controlada por sua administração para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”. 

O anúncio ocorre em meio a uma mudança mais ampla na política dos EUA em relação à Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas e a instalação de um governo interino no país sul-americano. A estratégia inclui não apenas a venda do petróleo, mas também colocar os EUA como principal comprador e parceiro econômico de Caracas. 

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou em entrevista que os Estados Unidos planejam controlar indefinidamente as vendas do petróleo venezuelano supervisionado e utilizar a receita em contas controladas por Washington. 

A proposta tem gerado reações no cenário internacional, com críticas de que países parceiros como China e Rússia possam ser excluídos das negociações e que a medida representa um aumento da influência americana na região. 

Analistas apontam que a implementação efetiva do acordo depende da capacidade logística de transportar o petróleo, das sanções vigentes e do ritmo de produção venezuelano, que sofreu queda acentuada nos últimos anos.