O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que não pretende usar a força militar para tomar a Groenlândia, mas defendeu o início imediato de negociações para que os EUA passem a ter a posse do território autônomo, que atualmente pertence à Dinamarca — país que insiste que a ilha não está à venda.

A declaração foi feita durante o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ao abordar o tema, o presidente voltou a classificar a Groenlândia como um ativo estratégico indispensável para a segurança dos Estados Unidos, especialmente em um eventual conflito com potências como Rússia ou China. “Qualquer guerra seria travada lá”, afirmou.

Trump também fez críticas à Otan, aliança militar criada pelos EUA em 1949 e da qual a Dinamarca é membro fundador. “Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos. Nós demos muito à Otan e não recebemos nada de volta”, declarou.

O republicano relembrou ainda que os Estados Unidos ocuparam a Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, após a Dinamarca ser tomada pela Alemanha nazista em 1940, devolvendo o território em 1945. Ao comentar o episódio, Trump classificou a devolução como um erro e afirmou que a Dinamarca teria sido “ingrata”.

Ele também citou a tentativa frustrada dos EUA de comprar a ilha em 1946, rejeitada à época pelos europeus. “Só queremos esse pedaço de gelo. Se aceitarem, vamos gostar. Se não, vamos nos lembrar”, disse, negando que a iniciativa tenha como objetivo enfraquecer a Otan.